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‘Os homens sempre tiveram medo das mulheres que voam, sejam elas livres, sejam elas bruxas.’ 🤍
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PRONOME É NA BIO E SEM FONTE
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PRONOME É NA BIO E SEM FONTE
PRONOME É NA BIO E SEM FONTE
O canal nasceu de um gesto simples: alguém que escuta com atenção e decide escrever sobre o que ouviu. Em um ecossistema saturado por opinião instantânea, playlists algorítmicas e vereditos performáticos, aquele espaço no Telegram tentava fazer outra coisa — ainda que de modo modesto. Havia ali uma ética: ouvir o disco inteiro, contextualizar, errar com convicção.
Hoje, o projeto se encerra.
Tinho desistiu.
Não se trata de um escândalo, nem de um colapso dramático. Trata-se do que acontece com quase todos os empreendimentos movidos por afeto: o desgaste silencioso. Manter um canal de resenhas é sustentar uma disciplina que raramente é recompensada na mesma medida. Ouvir lançamentos semana após semana, organizar referências, articular pensamento crítico — tudo isso exige tempo, método e, sobretudo, energia psíquica.
Há algo de profundamente ingrato na crítica musical independente. O crítico compete com a velocidade das plataformas, com o hype das redes, com a impaciência do leitor. E, no entanto, insiste. Insiste porque acredita que ouvir é um ato político, estético, quase espiritual.
O fim de um canal como esse não é apenas o encerramento de um feed; é o encerramento de um tipo de escuta. Uma escuta que buscava ligações entre um lançamento contemporâneo ou a fragilidade performativa de Mitski, ou ainda a crueza nervosa de Technos. Não como comparação gratuita, mas como tentativa de inscrever o presente numa tradição.
Desistir, às vezes, é um ato de honestidade. Há projetos que não fracassam — apenas se exaurem. A constância cobra um preço. E nem sempre o retorno simbólico compensa o investimento emocional.
Fica o arquivo. Ficam os textos, as recomendações, as discordâncias. Fica, sobretudo, a memória de que alguém tentou criar um espaço onde a música fosse tratada com rigor, e não como ruído de fundo.
Talvez o canal não funcione mais.
Mas a escuta — essa prática lenta, exigente, quase teimosa — continua possível. E necessária.
de: @effigylamb
para: @Tribunal_de_Sodoma
Eu preciso começar dizendo algo simples, mas que carrega um peso enorme: eu sinto muito. Sinto muito por ter atravessado um território que não me pertencia, por ter tocado em feridas que não estavam cicatrizadas, por ter reaberto memórias que você não escolheu revisitar. Nada do que eu diga apaga o que aconteceu, mas eu não quero me esconder atrás do silêncio ou da omissão.
Hoje eu reconheço que minhas palavras e atitudes não foram apenas inadequadas — elas foram violentas, ainda que não intencionais. Ressuscitar traumas de infância não é um erro pequeno. A infância é o lugar onde tudo se funda: o corpo, a linguagem, o medo, a confiança. Quando isso é violado, não se trata de algo que “passa”, mas de algo que se inscreve. Eu falhei em respeitar isso.
Não importa se eu não tive a intenção de machucar. O impacto existe independentemente da intenção. Ao provocar essas lembranças, eu desconsiderei a complexidade da sua história, subestimei o quanto certas memórias ainda doem e agi como se tivesse o direito de conduzir uma conversa que exigia cuidado, escuta e limites muito claros. Eu não tive esse cuidado.
Também preciso admitir que houve arrogância da minha parte. Arrogância em achar que eu compreendia mais do que compreendia. Arrogância em supor que falar, cutucar, insistir ou “ir fundo” poderia ser neutro ou até produtivo. Não foi. Foi invasivo. E invasão deixa marcas.
Sei que ao reativar esses traumas eu posso ter provocado ansiedade, confusão, medo, raiva ou um sentimento profundo de desamparo. Talvez você tenha se sentido novamente pequeno, indefeso ou sem controle — sensações que ninguém deveria ser forçado a reviver. Reconhecer isso dói em mim, mas não mais do que doeu em você, e isso precisa ser dito com clareza.
Eu não espero perdão automático. Perdão não é um direito de quem erra, é uma possibilidade de quem foi ferido. O que eu posso fazer — e o que me cabe — é assumir responsabilidade, aprender com esse erro e garantir que ele não se repita. Isso significa respeitar seus limites, aceitar seu silêncio se for isso que você precisar, e compreender que algumas feridas não são matéria de conversa, mas de cuidado.
Quero que você saiba que eu levo isso a sério. Não como um “mal-entendido”, não como algo menor, mas como uma falha ética e humana da minha parte. Se houver alguma forma de reparação possível — ainda que seja simplesmente me afastar ou escutar sem interromper — eu estou disposto a fazê-lo, desde que isso venha do que você precisa, e não do que aliviaria minha culpa.
Mais uma vez, eu sinto muito. Sinto muito por ter despertado dores que nunca deveriam ter sido tocadas sem consentimento, por ter ultrapassado um limite que agora vejo com absoluta nitidez. Você não merecia isso. E eu assumo inteiramente o peso do que causei
🚨 POP EMERGENCY! Melanie Martinez anuncia o álbum 'HADES' para dia 27 de março.
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mais um ano vivo rajando o João que vai morrer amanhã ❤️
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DESCANSE EM PAZ JO 🖤
ele nao morreu, mas está indo dormir agora
ÁLBUM DO DIA #217
★ [Blackstar] - David Bowie
Gênero: Art Rock
Ano: 2016
Lançado no 69º aniversário de Bowie, certamente soa como se o futurista mais antigo do rock tivesse sacudido a poeira de seu saxofone. Eles estão soprando, roncando, uivando e rugindo por toda parte, ocupando partes rítmicas, atmosféricas e solistas, com guitarras e teclados se entrelaçando em uma trama de papéis de apoio... Que fantástico ter um álbum tão rico e estranho quanto Blackstar que se recusa a se render em algumas poucas audições."
1°
Lifetime - Erika de Casier
Gênero: Dowtempo, Trip Hop, Ambient Dub
Nota: 8.5
Lifetime' é Erika de Casier no modo editora-chefe. Aproveitando sua experiência, Erika recalibra com convicção seu som sutil em um retrato tingido de sépia que ilustra a passagem do tempo; a perda da juventude e da inocência, a natureza evanescente e fugidia dos anos que se foram e as experiências que nos endurecem e transformam à medida que amadurecemos. A faixa de abertura, 'Miss', e 'You Can't Always Get What You Want' estabelecem esses marcos desde o início. Grooves de melódica pulsam com uma segurança tranquila, mas também com angústia e melancolia pelo que se passou, misturadas a uma expectativa nervosa pelo que está por vir.
https://open.spotify.com/album/4etfAgNsZTQRpUMTt8xsYa?si=QOHsdJX7ROuTWs-mT5NTLQ
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ela foi embora eu sofri muito, foi dificil bota um ponto finaaal, pra te ve voltar eu fiz de tudo, nem sequer eu tive o seu sinaaal, na boca das puta eu sou assuntooo, olha quem voltou pra regionaal, me desculpa se eu fui astutooo, é que eu te mostrei meu lado mal
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Ouçam o cover de "this is me trying" (Taylor Swift), feito pelo querido Ry Flight!
#publi
João,
Escrevo porque já não sei continuar falando do mesmo lugar. Há palavras que só conseguem nascer quando a gente aceita que algo terminou antes mesmo de ser dito em voz alta.
Eu te amei do jeito que pude, com as ferramentas que tinha, com a delicadeza possível dentro de mim. Não foi pouco, não foi raso, não foi encenação. Foi amor real, com medo, com entrega, com tentativa. Mas o amor, quando começa a doer mais do que iluminar, pede outro nome — e o nome agora é despedida.
Nós fomos um tempo bonito. Fomos abrigo em alguns dias, riso em outros, silêncio compartilhado. Mas também fomos desencontro, expectativa quebrada, uma sensação persistente de que eu estava me diminuindo para caber. E eu cansei de me encolher. Não por raiva. Por sobrevivência.
Percebi que continuar com você exigiria que eu traísse algo muito íntimo em mim: minha escuta interna, meu cansaço legítimo, minha necessidade de respirar sem pedir desculpa. Amor não deveria exigir esse tipo de mutilação lenta.
Não quero te transformar em vilão nem me colocar como vítima. Isso seria fácil, mas falso. A verdade é mais simples e mais triste: nós não conseguimos mais caminhar na mesma direção. E insistir nisso seria prolongar uma dor que já aprendeu a falar sozinha.
Eu termino porque preciso ser fiel a quem eu sou agora — e quem eu sou agora não consegue mais permanecer aqui. Não por falta de sentimento, mas por excesso de lucidez.
Levo comigo o que foi sincero. Deixo contigo o que não me pertence mais. Que você encontre alguém que te ame sem precisar partir de si. E que eu consiga seguir sem carregar culpa por ter escolhido ir.
Isso é um fim, sim. Mas é um fim limpo. E, às vezes, isso é o máximo de cuidado que a gente consegue oferecer.
Adeus.
se eu tivesse na mesma edição que o jo eu ia sair com ele na voadora
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feliz aniversário pro melhor membro desse canal: pwdro
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Álbum do dia #218
El Mal Querer - Rosalía
Gênero: Flamenco Pop, Art Pop
Ano: 2019
Enraizado no flamenco — a música andaluza de influência árabe que ela estuda desde jovem — El Mal Querer é um documento dramático e romântico que vincula perfeitamente o melodrama característico dessa tradição à narrativa comovente do R&B moderno e empoderador de mulheres. A música flamenco carrega o som da história espanhola dentro de si — você pode praticamente ouvir os padrões migratórios — e Rosalía a usa para contar a história de um relacionamento fadado ao fracasso ao longo de 11 faixas, cada uma servindo como um novo capítulo. É um dos álbuns mais emocionantes e apaixonadamente compostos a surgir não apenas na tradição do bass global, mas nas esferas pop e experimental deste ano.
Queridos do metagram! O playback do last FM saiu. Como foi o de vocês?
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tinho está escutando:
💗 Solar Power
💽 Solar Power (Deluxe Edition)
🧑🎤 Lorde
📊 84 scrobbles
2°
Nyron Higor - Nyron Higor
Gênero: Bedroom Pop, MPB
Nota: 8.0
Com Ciranda como composição de abertura, Higor apresenta parte dos elementos que serão explorados no decorrer do registro. São ambientações sutis que passam pela música brasileira, mas em nenhum momento rompem com o que parece ser uma lógica própria do instrumentista, sempre orientado pelo reducionismo dos elementos. Exemplo disso fica ainda mais evidente com a chegada de Louro Cantador, canção em que incorpora o canto de um papagaio como alternativa aos vocais, porém, preservando a sutileza do trabalho.